“O importante não é o pepino, é saber lidar com o pepino. Saber cortar, cozinhar e ter inteligência e calma para trabalhar o pepino.”
José Carlos Pereira, quando presidente da Infraero, sobre a crise aérea.
“Parece que, enquanto o brigadeiro José Carlos cozinhava o pepino, a batata dele assou.”
José Carlos Aleluia, deputado.
Sei que até eu mereceria uns tomates por retomar algo que já virou uma salada na internet ( é só digitar pepino cozido no google), mas o caráter, como diria um nada saudoso ministro, “incozível” do vegetal supracitado pelos senhores ilustres do governo já evidencia que estão despreparados para o paladar brasileiro, embora estejam em confluência com a degustação de iguarias de outras culturas.
Mas ok. Tudo bem. Você aí, brasileiro, defina três itens da cultura popular genuinamente brasileira, e verá que tupiniquim come qualquer coisa. A fome é brava.
Não é um chuchu de país se o olharmos assim, mas há alguns ainda acreditam que basta sorrir e seguir em frente que é sopa no mel, o país ainda dá um caldo.
Apesar da buchada indigesta vir de administrações de cheffs pregressos, de escolas culinárias diferentes mas adeptos de um mesmo cheiro verde, o problema chega finalmente à ala do restaurante que ainda não tinha ares de boteco, aquela de quem já há algum tempo, come mortadela e arrota peru.
Muitas pessoas encaram o sururu do atendimento em hospitais públicos com mais que uma mosca na sopa todos os dias, várias outras não sabem ao menos ler o cardápio de seu direitos constitucionais, e ficarão até o fim de suas vidas sem saber o paladar da holográfica liberdade de expressão que o fato de ser alfabetizado projeta para quem é mais que funcional. Engolem a seco a própria sombra de existência ao lidar com uma vida que não oferece a mínima organização de segurança para degustar seu ir e vir, apesar de pagar o pato carbonizado com combustível de jato que arde nos impostos inaplicados devidamente.
Grãos apodrecem em armazéns para não quebrar o mercado que não encontra quem os compre, as melhores carnes e frutas são do tipo exportação e alimentam o exterior com “polpa” e circunstância. As coisas estão escondidas por trás de receitas como na ditadura; apostilas para mastigar o que cérebros desdentados desde cedo não aceitam como alimento e línguas afiadas para falar daquilo que não sabem, de si mesmos, e de um perfil de cidadania nacional, uma identidade sem identificação ou reles paradigma.
Daí achar curioso que ( vinheta clássica nada irônica: pan pan pan paaaaaaannn!!) a classe média alta (se é que isso existe ainda) esteja sobressaltada com o abacaxi aéreo, que para o governo, que não é bobo, toma o avatar suave de pepino, pois assim fica mais aerodinâmico e não tem espinhos. Mas quando não se sabe o que fazer com ele, pensa-se em cozinhar, e pepino pequeno, pelo que me contaram, até é cozinhado para por em conserva.
Resta aos que comem nas nuvens com freqüência acreditar ou não se esse pepino com o tempo será conservado e lembrado de vez em quando, na ocasião de acidentes domésticos aleatórios, porém previsíveis. Resta a eles olhar para baixo mais vezes e procurar rastros do governo que governa governos, ou estabelecer a metáfora de que daqui de cima parece tudo de brinquedo, parecemos todos formigas. Claro, infestando um bolo que não é nosso.
Só fico imaginando o que se passa na cabeça do Joãozinho e da Mariazinha que todos os dias encaram sururus e pagam patos impostos e nunca experimentarão um grão de arroz da classe mais econômica sequer. Assim em cima como embaixo. Uma realidade oposta, distante. Há o que não me atinge, mas há o que me esmaga. E sabores e palavras que muitas línguas vivas ou mortas, de gente viva ou morta, jamais vão conhecer.
E mais uma vez, embora espere que não, o problema convertido em objeto fálico será empurrado para baixo, nas mãos da turba que não terá muitas opções para onde enfiar essa coisa, uma vez que o tapete é voador e debaixo dele já tem muita porcaria, inclusive a vida minimamente significante da própria turba.
José Carlos Pereira, quando presidente da Infraero, sobre a crise aérea.
“Parece que, enquanto o brigadeiro José Carlos cozinhava o pepino, a batata dele assou.”
José Carlos Aleluia, deputado.
Sei que até eu mereceria uns tomates por retomar algo que já virou uma salada na internet ( é só digitar pepino cozido no google), mas o caráter, como diria um nada saudoso ministro, “incozível” do vegetal supracitado pelos senhores ilustres do governo já evidencia que estão despreparados para o paladar brasileiro, embora estejam em confluência com a degustação de iguarias de outras culturas.
Mas ok. Tudo bem. Você aí, brasileiro, defina três itens da cultura popular genuinamente brasileira, e verá que tupiniquim come qualquer coisa. A fome é brava.
Não é um chuchu de país se o olharmos assim, mas há alguns ainda acreditam que basta sorrir e seguir em frente que é sopa no mel, o país ainda dá um caldo.
Apesar da buchada indigesta vir de administrações de cheffs pregressos, de escolas culinárias diferentes mas adeptos de um mesmo cheiro verde, o problema chega finalmente à ala do restaurante que ainda não tinha ares de boteco, aquela de quem já há algum tempo, come mortadela e arrota peru.
Muitas pessoas encaram o sururu do atendimento em hospitais públicos com mais que uma mosca na sopa todos os dias, várias outras não sabem ao menos ler o cardápio de seu direitos constitucionais, e ficarão até o fim de suas vidas sem saber o paladar da holográfica liberdade de expressão que o fato de ser alfabetizado projeta para quem é mais que funcional. Engolem a seco a própria sombra de existência ao lidar com uma vida que não oferece a mínima organização de segurança para degustar seu ir e vir, apesar de pagar o pato carbonizado com combustível de jato que arde nos impostos inaplicados devidamente.
Grãos apodrecem em armazéns para não quebrar o mercado que não encontra quem os compre, as melhores carnes e frutas são do tipo exportação e alimentam o exterior com “polpa” e circunstância. As coisas estão escondidas por trás de receitas como na ditadura; apostilas para mastigar o que cérebros desdentados desde cedo não aceitam como alimento e línguas afiadas para falar daquilo que não sabem, de si mesmos, e de um perfil de cidadania nacional, uma identidade sem identificação ou reles paradigma.
Daí achar curioso que ( vinheta clássica nada irônica: pan pan pan paaaaaaannn!!) a classe média alta (se é que isso existe ainda) esteja sobressaltada com o abacaxi aéreo, que para o governo, que não é bobo, toma o avatar suave de pepino, pois assim fica mais aerodinâmico e não tem espinhos. Mas quando não se sabe o que fazer com ele, pensa-se em cozinhar, e pepino pequeno, pelo que me contaram, até é cozinhado para por em conserva.
Resta aos que comem nas nuvens com freqüência acreditar ou não se esse pepino com o tempo será conservado e lembrado de vez em quando, na ocasião de acidentes domésticos aleatórios, porém previsíveis. Resta a eles olhar para baixo mais vezes e procurar rastros do governo que governa governos, ou estabelecer a metáfora de que daqui de cima parece tudo de brinquedo, parecemos todos formigas. Claro, infestando um bolo que não é nosso.
Só fico imaginando o que se passa na cabeça do Joãozinho e da Mariazinha que todos os dias encaram sururus e pagam patos impostos e nunca experimentarão um grão de arroz da classe mais econômica sequer. Assim em cima como embaixo. Uma realidade oposta, distante. Há o que não me atinge, mas há o que me esmaga. E sabores e palavras que muitas línguas vivas ou mortas, de gente viva ou morta, jamais vão conhecer.
E mais uma vez, embora espere que não, o problema convertido em objeto fálico será empurrado para baixo, nas mãos da turba que não terá muitas opções para onde enfiar essa coisa, uma vez que o tapete é voador e debaixo dele já tem muita porcaria, inclusive a vida minimamente significante da própria turba.
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